
A defesa do delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Bruno França Ferreira, em nota, afirmou que o policial enfrentava um quadro de forte desgaste psicológico nos últimos meses antes da ocorrência registrada em Sorriso (MT).
Bruno França é investigado após uma troca de tiros envolvendo um investigador na última quarta-feira (13). O caso é acompanhado pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
O delegado chegou a ter seu pedido de prisão, por tentativa de homicídio qualificado e ameaça, mas, foi revogada pela Justiça durante audiência de custódia. A decisão substituiu a prisão por medidas cautelares, como afastamento temporário do cargo, suspensão do porte de arma e acompanhamento psicológico especializado.
Segundo a defesa, o pedido pela revogação da prisão foi feito com base na própria manifestação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil, que apontou não haver necessidade de prisão preventiva diante do contexto apresentado no caso.
Os advogados afirmam que Bruno atuava há quatro anos no combate ao crime organizado em Sorriso, cidade considerada uma das principais bases de atuação de facções criminosas em Mato Grosso. Conforme a nota, o delegado exercia a função sob intensa pressão operacional e constante risco pessoal.
A defesa afirma ainda que problemas familiares enfrentados recentemente contribuíram para um agravamento do estado emocional do policial.
“Essa combinação de fatores gerou uma deterioração progressiva de sua saúde mental”, afirmou o escritório Bezerra & Curado Advogados Associados em trecho da nota divulgada à imprensa.
Conforme o comunicado, familiares chegaram a pedir apoio de amigos e colegas de trabalho para auxiliar o delegado antes da ocorrência.
A defesa também destacou que a própria Corregedoria-Geral da Polícia Civil registrou preocupação com a condição psicológica de Bruno França ao defender medidas cautelares alternativas à prisão preventiva.
Durante a troca de tiros com um investigador da PJC de Sorriso, Bruno França foi atingido na mão esquerda por disparos de espingarda calibre 12. O veículo conduzido pelo delegado ficou com diversas marcas de tiros.
Mesmo ferido, ele conseguiu dirigir até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sorriso, sendo posteriormente transferido para um hospital particular do município, onde passou por cirurgia.
NOTA DA DEFESA
O escritório Bezerra & Curado Advogados Associados, na qualidade de patronos constituídos de Bruno França Ferreira, Delegado de Polícia Civil do Estado de Mato Grosso, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos acerca dos fatos ocorridos em Sorriso-MT na data de 13 de maio de 2026.
Bruno França Ferreira é Delegado de Polícia Civil há quatro anos, atuando na região de Sorriso com dedicação e empenho reconhecidos pelas autoridades locais, incluindo o Ministério Público e o Poder Judiciário. Nesse período, colocou-se na linha de frente do combate ao crime organizado em um município que enfrenta sérios problemas relacionados a facções criminosas, o que resultou em significativa redução dos índices de criminalidade e em elevado número de prisões e inquéritos concluídos.
Trata-se de um profissional que exerce sua função com bravura, muitas vezes sob risco pessoal, a serviço da segurança pública da população de Sorriso.
Nos últimos dois meses, o Delegado Bruno vinha atravessando um período de grave sofrimento psicológico, precipitado por uma crise familiar de alta complexidade, somada ao peso acumulado de anos de trabalho em condições de extrema tensão. Essa combinação de fatores gerou uma deterioração progressiva de sua saúde mental, reconhecida e acompanhada de perto por sua família.
Os fatos que resultaram na lavratura do Auto de Prisão em Flagrante são inequivocamente reflexo desse quadro de stress. Amigos e colegas de trabalho se deslocaram à residência do Delegado a pedido de sua família, com o único intuito de auxiliá-lo.
O que se seguiu foi uma reação de quem, naquele momento, não estava no pleno exercício de suas faculdades mentais — o que é reconhecido pela própria Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso no despacho que fundamentou a lavratura do flagrante, ao registrar expressamente a preocupação com a condição psíquica do Delegado e afastar a necessidade de prisão preventiva em razão desse contexto.
A defesa, em consonância com a representação formulada pela própria autoridade policial por medidas cautelares alternativas à prisão — afastamento temporário do cargo e suspensão do porte de arma —, requereu ao Juízo Criminal da Comarca de Sorriso a recomendação de que o Delegado Bruno seja acompanhado por profissional especializado, no caso um psicólogo, para avaliar no aspecto clínico a necessidade de afastamento do profissional e eventual retorno.
As medidas foram deferidas pela autoridade judiciária.
A família e a defesa do Delegado Bruno França Ferreira aguardam que o sistema de justiça trate o caso com a sensibilidade que a situação exige e apela à imprensa e à sociedade para que o caso seja tratado com responsabilidade e respeito à dignidade da pessoa humana, preservando a imagem de um profissional que dedicou anos de sua vida ao serviço público, e que, como qualquer ser humano, pode sucumbir diante de circunstâncias que superam sua capacidade de suportação.