
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado encerra os trabalhos nesta terça-feira (14), com a apresentação do relatório final pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O documento solicita o indiciamento, por crimes de responsabilidade, dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Apesar de ter como foco o combate ao crime organizado no país, o relatório não propõe o indiciamento de outros investigados além das quatro autoridades. A análise e votação do documento estão previstas para a última sessão da CPI, marcada para as 14h.
Acusações contra autoridades
Segundo o relator, as condutas atribuídas aos investigados são consideradas incompatíveis com o exercício das funções públicas.
De acordo com Vieira, o relatório apresenta um diagnóstico amplo sobre a atuação do crime organizado no Brasil, incluindo sua infiltração em setores econômicos e no próprio poder público.
Caso Banco Master
O documento também destaca o caso do Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro, classificado como um dos maiores escândalos financeiros recentes.
Há indícios de conexão entre o sistema financeiro e estruturas de lavagem de dinheiro associadas ao crime organizado, com movimentações bilionárias consideradas suspeitas. Segundo o relator, a complexidade do caso exigirá investigação específica, já em andamento pela Polícia Federal.
Principais dados do relatório
O texto aponta um cenário de expansão do crime organizado no país:
No campo econômico, a CPI identificou a lavagem de dinheiro como principal mecanismo de sustentação das organizações criminosas, com atuação em setores como tabaco, ouro, combustíveis, mercado imobiliário e bebidas, além do uso de fintechs, criptomoedas e fundos de investimento.
Propostas e recomendações
O relatório apresenta uma série de medidas para fortalecer o combate ao crime organizado, entre elas:
Reta final da CPI
A comissão encerra os trabalhos com baixa efetividade nas oitivas. Mais de 90 pessoas deixaram de ser ouvidas, e apenas 18 depoimentos foram realizados desde novembro de 2025.
Na fase final, os trabalhos se concentraram no caso Banco Master, com suspeitas de irregularidades bilionárias e movimentações estimadas em cerca de R$ 12 bilhões, já sob investigação da Polícia Federal.
Parlamentares também criticaram decisões do STF que limitaram ações da CPI, como a suspensão de medidas investigativas e restrições ao acesso a dados financeiros.
Questão de soberania
Para o relator, o avanço do crime organizado no Brasil ultrapassa a esfera da segurança pública.
“O crime organizado no Brasil não é um problema circunscrito à segurança pública: é uma questão de soberania nacional. A resposta exige integração institucional, recursos adequados e compromisso com a legalidade e a transparência”, afirmou.
O relatório será encaminhado aos órgãos competentes e deve servir de base para futuras políticas públicas e propostas legislativas voltadas ao enfrentamento do crime organizado no país.