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Brasil e EUA firmam acordo para combater crime organizado e rastrear armas e drogas

Parceria prevê compartilhamento de dados em tempo real após conversa entre Lula e Trump

11/04/2026 às 06h18
Por: AMÁLIA FERNANDES Fonte: Da Redação
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Ricardo Stuckert/PR
Ricardo Stuckert/PR

Brasil e Estados Unidos fecharam um acordo de cooperação para intensificar o combate ao crime organizado, com foco no rastreamento de armas e drogas enviadas entre os dois países. A medida foi anunciada nesta sexta-feira (10) e ocorre após conversa entre os presidentes Lula e Donald Trump.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que a iniciativa foi batizada de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), que prevê o compartilhamento de informações em tempo real para interceptar cargas ilegais.

Segundo as autoridades, traficantes têm utilizado diferentes estratégias para enviar materiais ilícitos, como peças de fuzis escondidas em equipamentos de airsoft e drogas camufladas em embalagens de ração enviadas pelos Correios.

A parceria envolve a Receita Federal do Brasil e a alfândega dos Estados Unidos. O objetivo é identificar remessas suspeitas antes mesmo de chegarem ao destino, ampliando o monitoramento logístico entre os dois países.

O acordo prevê dois mecanismos principais. O primeiro é o Programa Desarma, sistema da Receita Federal que permite o compartilhamento estruturado de dados sobre armas, munições, explosivos e outros materiais sensíveis. As informações incluem origem, logística e números de série, facilitando o rastreamento de redes criminosas.

O segundo mecanismo é o chamado “remote targeting”, que permite a análise remota de cargas. Na prática, contêineres passam por uma espécie de raio-x digital, com imagens cruzadas com dados de inteligência compartilhados continuamente entre Brasil e Estados Unidos.

Dados apresentados no anúncio mostram a dimensão do problema. Nos últimos 12 meses, mais de 1.100 armas ou peças com origem nos Estados Unidos foram apreendidas no Brasil, totalizando cerca de meia tonelada.

Somente no primeiro trimestre de 2026, mais de 1,5 tonelada de drogas com origem americana foi interceptada, com destaque para drogas sintéticas e haxixe.