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PJC-MT deflagra operações contra esquema milionário de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro com ramificações em outros estados

Mandados foram cumpridos em Mato Grosso, Santa Catarina e Amazonas; investigações apontam participação de servidor público e juiz de paz em organização criminosa.

19/05/2026 às 09h02 Atualizada em 19/05/2026 às 09h38
Por: AMÁLIA FERNANDES Fonte: Da redação
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PJC- MT
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A Polícia Judiciária Civil do Estado de Mato Grosso, por meio da Delegacia de Polícia Civil de Sorriso-MT e do Núcleo de Combate ao Estelionato e Lavagem de Dinheiro, deflagrou nesta terça-feira (19) duas operações simultâneas para combater organizações criminosas envolvidas em esquemas de fraude, corrupção, lavagem de dinheiro, falsificação documental e crimes patrimoniais de alta complexidade. As ações fazem parte da segunda fase da Operação Eidolon e da Operação Falso Mestre.

Na segunda fase da Operação Eidolon, a Polícia Civil investigou uma associação criminosa suspeita de desviar veículos apreendidos e sob responsabilidade da administração pública municipal de Sorriso-MT. Segundo as apurações, o grupo utilizava documentos falsos, fraudes cartorárias e corrupção de agentes públicos para retirar ilegalmente motocicletas e outros veículos dos pátios conveniados.

As investigações apontaram que os suspeitos atuavam de forma organizada, com divisão de funções entre servidores públicos, falsificadores, intermediadores e receptadores. O esquema selecionava veículos com baixa probabilidade de recuperação pelos proprietários e utilizava procurações fraudulentas e termos falsificados para realizar as liberações ilegais.

A Polícia Civil também identificou o envolvimento de pessoas com acesso privilegiado a sistemas públicos e procedimentos cartorários, possibilitando a inserção de dados falsos, emissão de procurações fraudulentas e regularização ilícita de veículos.

Entre os investigados está um guarda municipal apontado como liderança operacional do esquema. Um juiz de paz com acesso a procedimentos cartorários da cidade também é alvo das investigações e aparece citado nas duas operações como possível facilitador das fraudes.

Nesta fase da Operação Eidolon foram cumpridos cinco mandados de prisão, nove mandados de busca e apreensão, bloqueios de contas bancárias, suspensão de registros empresariais, afastamento de função pública e quebra de sigilo financeiro de investigados.

Já a Operação Falso Mestre teve início após uma vítima denunciar que entregou documentos pessoais acreditando estar realizando matrícula em um curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Conforme a investigação, um antigo professor da vítima teria utilizado a relação de confiança para obter os documentos e aplicar fraudes bancárias para financiamento irregular de veículos.

Durante as apurações, a Polícia Civil identificou financiamentos fraudulentos envolvendo veículos como um Chevrolet Cobalt e um Jeep Renegade, firmados sem autorização da vítima. Também foram identificados movimentações financeiras suspeitas, falsificação documental e tentativa de regularização fraudulenta dos automóveis.

As investigações ainda apontam para atuação de organização criminosa com ramificações interestaduais e possível caráter transnacional.

Na Operação Falso Mestre foram cumpridos dois mandados de prisão e sete mandados de busca e apreensão.

Somadas, as duas operações resultaram em sete mandados de prisão, 16 mandados de busca e apreensão, bloqueios judiciais de contas bancárias, afastamentos de sigilo financeiro, suspensão de funções públicas e outras medidas cautelares patrimoniais e investigativas.

As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal de Sorriso-MT, após representação da Polícia Civil.

O delegado Thiago Meira, responsável pelas investigações, destacou a complexidade técnica das apurações e agradeceu o apoio operacional das regionais da Polícia Civil de Sinop e Nova Mutum, além das Polícias Civis de Santa Catarina e Amazonas, que auxiliaram no cumprimento de mandados fora de Mato Grosso.

Segundo a Polícia Civil, as investigações envolvendo organizações criminosas, lavagem de dinheiro e falsificação documental exigem elevado grau de complexidade técnica, integração entre forças de segurança e atuação estratégica de inteligência policial. A corporação reforçou que o foco das operações é identificar a estrutura financeira dos grupos criminosos, rastrear patrimônios adquiridos ilegalmente e desarticular economicamente as organizações investigadas.